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Felicidade no Currículo

  • 14/10/2018
  • Carla Furtado

É preciso compreender o que há por trás de um fenômeno: universidades em diferentes países estão oferecendo curso de Felicidade, como matéria optativa, aos seus alunos. A mais recente é a University of Bristol, na Inglaterra, onde 11 estudantes se suicidaram nos últimos 2 anos. No Reino Unido, 94% das universidades registraram crescimento na demanda de suporte emocional pelos alunos.

O
 movimento das universidades, entre elas a UnB ? em Brasília, toma corpo em enfrentamento a um quadro assustador: 500 milhões de pessoas sofrem de doenças mentais no planeta e apenas um quinto está sob tratamento. Doenças mentais são uma importante causa de infelicidade, além de gerar impacto relevante na economia. E mais: pessoas com depressão e transtorno de ansiedade vivem 5 anos menos que a média e estão mais sujeitas a suicídio.

Ao adotar a Felicidade enquanto disciplina, universidades trazem para a sala de aula teoria e intervenções com resultados comprovados em alguns dos maiores centros de pesquisa do mundo. Amparadas pela psicologia positiva e pela neurociência, buscam a prevenção do adoecimento, com a identificação de propósitos de vida, a valorização das relações para a formação de uma rede de apoio afetivo, o aprendizado de habilidades socioemocionais, entre outros.

Como sofrimento psíquico não é exclusividade do ambiente de ensino, as empresas devem ser as próximas a embarcar no movimento. O crescimento no número de atestados por depressão e transtorno de ansiedade já coloca os departamentos de recursos humanos em alerta - e muitos de mãos atadas, por não saberem como atuar nesse novo cenário. Estabelecer políticas de promoção do bem-estar integral do trabalhador, que devem necessariamente envolver prevenção, é palavra de ordem. 

O Instituto Feliciência vem, desde 2015, traduzindo os avanços mundiais no âmbito da felicidade para o contexto brasileiro. Nossos esforços perpassam desenvolvimento e aplicação de uma escala específica para verificação das condições de felicidade dos trabalhadores, o desenvolvimento de programas corporativos para promoção do bem-estar e a formação de facilitadores na metodologia FIB-Feliciência. 

Nossa principal bandeira é evitar que a visão do filósofo irlandês Charles Handy se materialize. "Há momentos em que cheguei a acreditar que organizações fossem estruturas geridas por sádicos com estafes de masoquistas", afirmou em uma de suas obras. Onde o sofrimento se instala, especialmente em decorrência de culturas organizacionais e dinâmicas de poder pouco saudáveis, todos sofrem as consequências: o ser humano, o negócio e a sociedade.



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