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Líder na Berlinda

  • 13/09/2018
  • Carla Furtado

O Massachusetts Institute of Technology (MIT) tem debatido, internamente, se o termo "líder" já encerrou seu ciclo de vida no mundo dos negócios. Ainda sem respostas definitivas acerca da questão, o fato é que assim como chefe passou a ser chamado de gestor quando seu papel ganhou novos contornos, é natural o questionamento sobre a pertinência de "líder".

Para Otto Scharmer, professor sênior do MIT e co-criador da Teoria U, há mesmo algumas fragilidades no uso da palavra. Em primeiro lugar, liderança é associada a indivíduos, em vez de ser característica sistêmica. Em tempos de tamanha volatilidade, as empresas não podem depender diretamente de seus líderes, até porque sozinhos não são capazes de enfrentar desafios cada vez mais complexos. É tempo de desenvolver a liderança organizacional.

O questionamento tem mais argumentos. Se liderança sempre foi sinônimo de persuasão junto à própria equipe, hoje é preciso saber igualmente influenciar aqueles que estão fora do escopo hierárquico. Nenhum líder é capaz de promover realizações consistentes de maneira isolada, dentro de uma espécie de feudo, onde sua palavra é sempre a que conta. O mercado demanda executivos que saibam dialogar, persuadir e negociar com diferentes stakeholders.

Líder parece mesmo palavra gasta. Até porque muitos não sabem definir sequer o propósito de sua liderança. Também cometem o erro de seguir tomando decisões sem ver de perto o impacto que elas causam. E, ainda, mantêm o status dos ego-sistemas, onde manda quem pode e obedece quem tem juízo.

Mas, como chamar aqueles que atuam de maneira decisiva em tempos tão disruptivos? Changemakers é uma das hipóteses em discussão. Como definiu David Brooks em artigo no New York Times, agentes de mudança são pessoas capazes de identificar problemas, arquitetar soluções, organizar times fluidos, conduzir ações coletivas e seguir se adaptando à medida que as situações continuam se transformando. É bem provável que você se identifique com esta descrição, seja como um agente de mudança, seja como alguém que adoraria contratar um.



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